Como primeiro post irei postar um texto do Gabriel Torres, que me deixou com mais raiva ainda do país em que vivo.


Tudo mundo que trabalha com peças de informática ou com eletrônicos de forma geral tá careca de conhecer o problema do "Custo Brasil": importar eletrônicos legalmente no Brasil dobra o custo do produto.

Só que essa semana não consegui parar de pensar no caso do aparelho de Blu-Ray. O preço desses aparelhos no EUA despencou em dezembro por conta do Natal. As unidades mais baratas hoje são as da Samsung como a BD-P1400 e a Sony BDP-S300, custando US$ 300 (sem impostos; com impostos sai por US$ 325) em qualquer loja da cadeia Best Buy (tem praticamente uma em cada esquina nos EUA). Ou seja, no máximo R$ 650. Mesmo se a gente pensar no preço de tabela dessas unidades nos EUA (US$ 500 ou R$ 1.000) ainda está longe, muito longe, do preço de tabela no Brasil: R$ 3.000. Tudo bem que o custo de importação é de 100%, mas cobrar entre R$ 1.000 a R$ 1.700 acima do custo é pura ganância. Pois se a Best Buy está vendendo por US$ 300 é pouco provável que eles estejam tendo prejuízo. O custo do produto para importadores oficiais é menor que o preço encontrado nas lojas americanas, o que aumenta ainda mais esta disparidade. Sem contar que nos EUA a Blu-Ray Association dá 5 discos Blu-Ray de graça (de uma seleção limitada, é verdade) para quem comprar esses aparelhos, o que torna a diferença de preço ainda maior.

É por essa mentalidade de exploração que o Brasil não vai para frente. Infelizmente a cultura brasileira ainda é centrada na "esperteza" e "querer levar vantagem", sem a idéia usada pelos americanos e chineses de em vez de colocar uma margem de lucro alta e vender meia dúzia de unidades, coloca-se uma margem pequena e vendem-se milhares de unidades e ganha-se no volume, sem contar na verdadeira popularização da tecnologia, na criação de um mercado consumidor para outros produtos correlacionados (como filmes em Blu-Ray). Aí o que ocorre no Brasil: como pouca gente tem esses aparelhos, o custo dos filmes vai para a casa do chapéu, por falta de volume de vendas. O pessoal no Brasil em geral só pensa no seu e pronto, que se dane o resto.

Fala-se muito em inclusão digital no Brasil, mas com essa mentalidade tudo não passa de pura demagogia. Verdadeira inclusão digital ocorre em todos os demais países onde qualquer pessoa pode comprar a última tecnologia de ponta sem ser explorado por isso.

Sempre é bom lembrar que por conta da diferença nos salários US$ 300 nos EUA equivale a R$ 300 no Brasil.

A solução? A que eu venho defendendo há mais de 10 anos: um processo de importação sem burocracia (hoje em dia para importar produtos oficialmente o empresário precisa ter doutorado em sânscrito) e um custo total de importação mais baixo. Com um custo total de 20% o contrabando praticamente acabaria, o governo arrecadaria mais, visto que o contrabando não faria mais sentido, isto é, a quantidade de gente pagando impostos seria maior, e teríamos finalmente uma inclusão digital no Brasil. Ou você não compraria hoje um Blu-Ray nas Lojas Americanas se você visse um aparelho a R$ 780, discos a R$ 40 e pudesse comprar uma TV LCD de 47 polegadas de alta definição 1080p por um preço acessível?

A única contra-argumentação seria que isso "quebraria" a indústria nacional. Que indústria nacional? As indústrias nacionais só sobrevivem porque há essa política arcaica contra importados no Brasil. O que a indústria nacional precisa é menos burocracia e um ambiente propício para o empreendimento e não de falsas proteções. Mas aí, é claro, teríamos de revolucionar o sistema tributário brasileiro e fazer o que governo não quer de jeito nenhum: cortar custos, demitir funcionários, enfim, colocar a "casa em ordem" e acabar com a "mamata". Afinal é assim que fazemos na nossa vida pessoal. Mas infelizmente não vai ser nesta administração que isso vai ocorrer, já que o pensamento socialista é de que o governo tem que bancar tudo e dar dinheiro para os pobres a troco de nada (dar o peixe em vez de ensinar a pescar). E quem paga a conta somos todos nós, com coisas como a falta de acesso à tecnologia e pagando os olhos da cara para qualquer produto de quinta categoria que aparece por aqui. Pensando bem, no fundo, no fundo nada mudou no Brasil nos últimos 40 anos.

Autor: Gabriel Torres

Fonte: Clube Do Hardware

1 comments

  1. Hilário  

    Por isso que ainda prefiro importar direto pelos correios viu...e não é dificil nao, pra quem ainda tem duvida há um tutorial na net no link http://www.4shared.com/file/56540966/6f6fb764/comprandonoebay.html
    que explica como abrir conta no ebay, no paypal, como ter cartao de credito internacional...Eita paisinho viu!
    Abraços e bom artigo

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